6. MEDICINA E BEM-ESTAR 10.10.12

1. ESMALTES TXICOS
2. O DESAFIO DE IMPEDIR A MORTE DOS NEURNIOS

1. ESMALTES TXICOS
Fabricantes brasileiros so obrigados a reduzir ou retirar dos produtos compostos associados a males como alergia e tumores
Tamara Menezes 

REAO - Rafaela s pode usar produtos antialrgicos
 
Na contramo do boom de cores novas, a notcia de que os esmaltes podem intoxicar e at causar doenas abalou um mercado em expanso. Fabricantes de duas marcas brasileiras, Risqu e Impala, foram processados pelo Ministrio Pblico Federal (MPF) e assinaram acordo com o rgo se comprometendo a banir ou reduzir ao mximo nos produtos quatro substncias associadas a prejuzos  sade (leia quadro), alm do formol.
 
O curioso  que a Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria (Anvisa) no probe os ingredientes e o mximo que fez foi reduzir, este ano, a concentrao permitida do tolueno, responsvel por 95% dos casos de alergia a esmaltes. O acordo com o MPF valer a partir de abril de 2013, mas pelos trs anos seguintes ainda ser possvel comprar, no varejo, os vidrinhos produzidos sem as exigncias da norma. Pela via judicial, a deciso poderia demorar at dez anos, diz o procurador Fernando Martins.
 
Os compostos que foram alvo do MPF esto associados a problemas que vo de alergia e nuseas at tumores, dependendo do tipo e da concentrao. As formas de contaminao so por inalao e por contato por meio da cutcula.
 
A alergia est entre as reaes mais comuns (10% das mulheres so alrgicas a uma das substncias). Com uso contnuo, pode haver dermatite de contato alrgica, explica a dermatologista Leandra Metsavaht. A estudante Rafaela Mello, 21 anos, desenvolveu alergia h quatro anos. Mas mesmo se no fosse alrgica ia querer me prevenir, diz.
 
Segundo a Anvisa, as normas brasileiras se baseiam em referncias internacionais e informaes cientficas atualizadas. No entanto, o toxiclogo Daniel Dorta, da Universidade de So Paulo, alerta que a legislao nacional est desatualizada e no regula todas as substncias. Fora do Pas, o tolueno, um dos compostos txicos,  liberado desde que bem diludo. Na Europa, outros, como formaldedo e dibutilftalato, no podem ser misturados em cosmticos. J nos EUA, a restrio est em debate. Aqui no Brasil, a Risqu informou que obedece s leis em vigor. A Impala no respondeu  solicitao da reportagem.


2. O DESAFIO DE IMPEDIR A MORTE DOS NEURNIOS
Pesquisadores testam molcula que poder ser capaz de proteger as clulas nervosas do crebro dos danos causados por doenas como o Parkinson
Mnica Tarantino

Centros de pesquisa em todo o mundo buscam com afinco substncias capazes de proteger da morte ou de agresses as clulas nervosas do crebro e da medula espinhal. O que se quer  encontrar meios de preservar os neurnios da degenerao progressiva a eles imposta por doenas como o Alzheimer, o Parkinson e a esclerose lateral amiotrfica (ELA). Na semana passada, um grupo de cientistas anunciou resultados animadores nessa direo aps estudos feitos com molculas pertencentes a uma nova classe de substncias chamada de P7C3. Em testes feitos em modelos animais com doenas degenerativas, uma dessas molculas, chamada de P7C3A20, aumentou a sobrevivncia de novos neurnios em uma rea do crebro conhecida por giro denteado, na regio do hipocampo, e foi tambm capaz de preservar neurnios maduros fora dessa regio. Essa molcula funciona bloqueando formas patolgicas de morte neuronal. Estamos agora no processo de determinar quais so, precisamente, os seus alvos e mecanismos de ao, disse  ISTO o cientista Andrew Pieper, principal autor dos dois trabalhos a respeito do assunto, publicados pela revista cientfica PNAS. Pieper  professor de psiquiatria do Carver College of Medicine, instituio ligada  Universidade do Iowa, nos Estados Unidos.
 
O experimento revelou tambm um desempenho positivo do composto contra a degenerao das clulas produtoras de dopamina, neurotransmissor (substncia envolvida na troca de sinais entre as clulas nervosas) necessrio ao controle motor. Na doena de Parkinson, so justamente esses os neurnios atingidos. A enfermidade destri gradualmente essas clulas, explica o neurologista e geneticista David Schlesinger, pesquisador do Instituto do Crebro do Hospital Israelita Albert Einstein. A perda dessas clulas cerebrais leva a tremores, rigidez e dificuldade de caminhar. Pieper e sua equipe viram ainda que a molcula testada foi competente para evitar a morte de neurnios da medula espinhal e pode estar relacionada  melhora de sintomas como a coordenao e fora em modelos animais com esclerose lateral amiotrfica.

O prximo passo dos pesquisadores ser aprimorar novas molculas da famlia P7C3 e determinar sua eficcia em animais com leso cerebral traumtica e leses nos nervos perifricos. Eles tambm esto interessados em colaborar com outros investigadores com experincia em outras formas de doenas degenerativas. De fato, h uma grande variedade de formas mal compreendidas de enfermidades desse tipo, que afetam milhares de pessoas em todo o mundo. Nossa esperana  que o modelo qumico representado pelas molculas fornea uma base para avanar nos estudos de uma nova classe de medicamentos neuroprotetores que iro beneficiar os pacientes, afirma Pieper. 
 
Atualmente, no h medicamentos com efeito neuroprotetor. Existe uma necessidade grande e no atendida de criar substncias com essa caracterstica, afirma o neurologista Rodrigo Schultz, da Universidade Federal de So Paulo. Na viso do neurologista e geneticista Schlesinger, os estudos de Pieper aprofundam o conhecimento dos mecanismos que levam  morte neuronal e acenam com novas possibilidades. Porm, da mesma forma que a degenerao das clulas nervosas  fruto de diversos mecanismos distintos, a neuroproteo  um processo que envolve um conjunto de medidas e no est associada somente a um nico medicamento, pondera.
 
Com a finalidade de conter a deteriorao neuronal, h tambm estudos com remdios biolgicos (feitos a partir de clulas humanas) para frear processos que levam ao acmulo de substncias capazes de matar clulas nervosas. E, tambm na ltima semana, a cincia deu outro passo para ampliar as possibilidades de regenerao de clulas nervosas. Em laboratrio, o pesquisador Benedikt Berninger, da Universidade Johannes Gutenberg, na Alemanha, conseguiu converter em neurnios algumas clulas que so encontradas na barreira hemato-enceflica que protege o crebro. Nosso principal objetivo  um dia induzir a converso dentro do prprio rgo e, assim, proporcionar uma nova estratgia para reparar danos ou doenas, disse Berninger. Testes mostraram que os neurnios recm-convertidos produziram sinais eltricos e se comunicaram com outros neurnios.

